sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Errância ou O antídoto para o Amor



Hoje detive-me quando, apressadamente me repetia nos actos.
Não fui direito a ti; parei.
Bateu-me a diferença, combati docilmente o hábito e ganhei sem esforço.
Mudei de direcção e fui me a mim.
Por entre cigarros e copos de vinho,
numa esplanada de viela suja,
limpei me do habitual, purguei-me das práticas
e sosseguei.
Recordei aquela praia vazia e imensa que calquei em tempos
em que o silencio recortava as ondas, no meio do Atlântico
(ou seria o contrário
Revivi os tempos de errância que cultivava por prazer
e quando o candeeiro sujo, preso na parede da tasca
sobre a minha mesa de ferro forjado se acendeu,
levantei-me, larguei umas moedas, coloquei a mochila
e lá parti para a noite.


Doce solidão em tons escuros, diz a noite ao solitário, abraçando-o com o seu manto misterioso.


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