sábado, 12 de agosto de 2017

Migração




Sei o quão frágil é respirar
E como engana o bater do coração
Mas a esperança é soberana
Mesmo pra quem a renega
Por mais dores que o passado traga

Por isso desejo, por isso rogo
Que venha o inverno
E me traga um bilhete teu
No seu vento selvagem
Me mova como um ponteiro de bússola
E me indique o norte

Na minha prece peço a coragem
Para partir sem pensar
Para ir sem hesitar
E finalmente te encontrar
E no teu calor me perder
Porque teu pretendo ser

Até que o inverno se acabe
Até que a memória se apague
Até que desistas de mim


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