Da
suavidade melancólica de um adeus sentido, do delicado sorriso que traduz um
até breve ou da ingrata sensação de quebra permanente de uma ligação outrora
inquebrável.
De
muitas maneiras se define a ausência, mas cada ausência tem uma forma própria,
um sentimento singular, uma dor única e inconfundível, uma cor.
Ausência
é sinónimo de saudade, embora nalguns casos traga apenas uma esbatida
recordação.
Saudade
é dor, pesado fardo que a memória agudiza. Saudade é vazio, nomadismo forçado,
prisão. Saudade é o tempo contado pelos dedos de muitas mãos, um rosário
desfiado no desespero do tempo passado.
Se eu
tivesse de expressar a saudade, escolheria uma tela sobre a qual, a pastel,
traçaria em tons de preto e cinza, carregando bem nos traços, um abstracto.
Forçaria os pincéis, numa angústia revoltada, a dançarem um tango maldito, num
rodopio infinito, até que a alma esvaziasse ou os dedos me traíssem.
E em
abstracto traduziria a imagem que me ocorre do sorriso que me lançaste quando
nessa noite tardia, me disseste: “Até qualquer dia”.