Chegou atrasado e
desusado
Mas foi tão inevitável
como cair
Cruzados olhares,
trocadas palavras desastradas
Bateu um ardor nas faces
e um brilho baço nos olhos
O pensamento perdeu-se
num mar de imagem parada
E descambou em suspiros
de olhares trémulos no relógio
Não percebeu que deu o
primeiro passo de um caminho sinuoso
Para um destino incerto,
doloroso, doce, amargo mas sempre cativante
O desejo trai-lhe a
vontade, angustia pela ausência, entorpece pela presença
Desatinado reincidente
que te deixaste, de repente, arrastar para um mar revolto
Irás morrer mil vezes e
renascer, irás ser de novo criança e crescer na dor da esperança
De um querer sem razão de
ser, de um possuir múltiplo de prazer, de uma fome que não sacia
De uma dor que é
incerteza, de um afago repetido e nunca revivido, porque isso é amor
E o amor é sempre parido
em dor e em dor arrependido