sábado, 17 de janeiro de 2026

Da doce gravidade das quedas

 

Chegou atrasado e desusado

Mas foi tão inevitável como cair

Cruzados olhares, trocadas palavras desastradas

Bateu um ardor nas faces e um brilho baço nos olhos

O pensamento perdeu-se num mar de imagem parada

E descambou em suspiros de olhares trémulos no relógio

Não percebeu que deu o primeiro passo de um caminho sinuoso

Para um destino incerto, doloroso, doce, amargo mas sempre cativante

O desejo trai-lhe a vontade, angustia pela ausência, entorpece pela presença

Desatinado reincidente que te deixaste, de repente, arrastar para um mar revolto

Irás morrer mil vezes e renascer, irás ser de novo criança e crescer na dor da esperança

De um querer sem razão de ser, de um possuir múltiplo de prazer, de uma fome que não sacia

De uma dor que é incerteza, de um afago repetido e nunca revivido, porque isso é amor

E o amor é sempre parido em dor e em dor arrependido