sábado, 14 de fevereiro de 2026

Momentos

 

Coloquei o velho piano de cauda sob o beiral do telhado; apenas as teclas ficaram alinhadas com o mesmo.

Nestas tardes inconstantes, ou nas noites de verão, gosto de me sentar cá fora, por baixo do telhado avançado, pertinho do piano.

Sentado sozinho na poltrona de verga, forrada a suavidade, escuto as gotas que se desprendem do beiral, batem nas teclas do piano e produzem sinfonias naturais de sons caóticos.

Sentado sozinho na minha poltrona, rodeado de silêncios quentes ou de húmidos sons caóticos, sinto-me solitariamente acompanhado com os meus pensamentos. São os meus fiéis amigos, por vezes inoportunos, muitas vezes mal vindos, sempre presentes.

Sozinho não estou tão só.

Tenho o velho piano de cauda, a minha poltrona de verga forrada a suavidade e pensamentos que inventei para consumo próprio.

E tenho os sons do clima, os ritmos do tempo e a liberdade de olhar em volta sem limitações.

Sentado, sozinho, tenho um mundo... onde até tu és presença.