Coloquei o velho piano de
cauda sob o beiral do telhado; apenas as teclas ficaram alinhadas com o mesmo.
Nestas tardes
inconstantes, ou nas noites de verão, gosto de me sentar cá fora, por baixo do
telhado avançado, pertinho do piano.
Sentado sozinho na
poltrona de verga, forrada a suavidade, escuto as gotas que se desprendem do
beiral, batem nas teclas do piano e produzem sinfonias naturais de sons
caóticos.
Sentado sozinho na minha
poltrona, rodeado de silêncios quentes ou de húmidos sons caóticos, sinto-me
solitariamente acompanhado com os meus pensamentos. São os meus fiéis amigos,
por vezes inoportunos, muitas vezes mal vindos, sempre presentes.
Sozinho não estou tão só.
Tenho o velho piano de
cauda, a minha poltrona de verga forrada a suavidade e pensamentos que inventei
para consumo próprio.
E tenho os sons do clima,
os ritmos do tempo e a liberdade de olhar em volta sem limitações.
Sentado, sozinho, tenho
um mundo... onde até tu és presença.
Sentada no meu mundo do tamanho de uma ervilha tenho outro mundo onde só tu és a presença!
ResponderEliminarBonito, gosto do dueto!
Apeteceu-me fazer um trocadilho com a tua última frase ;)