Por vezes, ao fim da
tarde, naqueles momentos em que o sol já baixo no horizonte, nos presenteia com
uma luz difusa e mágica, eu acredito ouvir os seus passos breves e ligeiros no
corredor. E uma fragância fresca frutada, como a que usava, aflora-me as narinas.
São breves instantes de breve loucura, momentos de ilusão que me permitem
manter um certo equilíbrio emocional, em particular quando a bendita solidão me
ataca de mansinho e me embala no seu canto irresistível.
É terrivelmente cativante
a solidão, apenas suplantada pela tristeza.
Esta última seduz-nos,
envolve-nos, apodera-se da nossa vontade e alimenta-se das nossas fraquezas.
Por isso essa breve
ilusão de a sentir, tanto tempo depois, sempre que a luz obliquamente breve do
sol brinca no meu soalho, é um escudo que me protege da solidão e da tristeza
por instantes, embora eu, infalivelmente me volte a render a ambas e a adormecer
nos seus braços a cada noite.