A cadeira de verga que almofadaste e
colocaste em frente à porta da varanda.
Essa cadeira onde te sentavas ao fim
da tarde, naquele período em que o sol nos brinda com um brilho de luz
especial, aquele brilho de quem se vai e só volta no dia seguinte.
Esse brilho que se espelhava nos teus
olhos quando eu entrava e te viravas de frente para mim.
Era nesse momento que o sol sentia
inveja de mim.
Há muito que te foste; a cadeira,
essa, continua no mesmo sítio, recordando-me tempos em que eu próprio tive
inveja de mim.
Mais ninguém se sentou nela desde esse
dia; enquanto me recordar do meu nome ninguém se sentará nessa cadeira de verga
por ti almofadada.
Sinto que um dia, quando já eu próprio
me tiver “posto” para lá do horizonte da memória, virás como se nada se tivesse
passado e te sentarás na cadeira no preciso momento em que o sol te brindar com
o seu brilho que, de uma forma muito especial irradiará de teus lindos olhos.
Apenas a lua será testemunha desse
desencontro e sei que sentirei uma inveja imensa dessa lua Cheia do teu brilho